Mato Grosso do Sul, 3 de junho de 2026

Novo imposto dos EUA sobre transferências bancárias pressiona remessas para América Latina

Taxa de 1% sobre envios em espécie entrará em vigor em 2026 e pode reduzir o valor repassado às famílias, mas não representa risco macroeconômico, dizem especialistas.

Um novo imposto de 1% sobre transferências de dinheiro em espécie foi aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos e entrará em vigor a partir de janeiro de 2026. A medida, voltada principalmente a remessas enviadas por migrantes, deve afetar diretamente milhões de famílias na América Latina, que dependem desses recursos para despesas básicas como alimentação, saúde e educação.

Em 2024, a região recebeu cerca de US$ 160 bilhões em remessas, sendo os EUA a principal origem desses recursos. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), oito em cada dez migrantes latino-americanos enviam dinheiro regularmente para seus países de origem.

Embora a nova taxa tenha sido reduzida da proposta original de 5%, especialistas alertam que, mesmo em 1%, ela pode representar trabalho extra para os remetentes ou uma redução direta no valor recebido pelas famílias.

“Cada US$ 1 mil enviados, terá US$ 10 retidos. Isso pode ser absorvido pelo remetente ou pelo destinatário”, explica Mario Campa, da Universidade Columbia.

O impacto será maior nos países mais dependentes das remessas, como El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua, onde os envios de dinheiro representam até 25% do PIB. Ainda assim, especialistas como Campa avaliam que não há risco macroeconômico significativo.

Segundo análise do Centro para o Desenvolvimento Global (CDG), com sedes em Washington e Londres, o imposto poderá alterar os hábitos de envio. Migrantes indocumentados, por exemplo, podem buscar formas alternativas de transferência, como recorrer a amigos com acesso a bancos, o que pode encarecer o processo e aumentar a informalidade.

“Enquanto esses migrantes permanecerem trabalhando nos EUA, continuará havendo remessas. Pode haver queda, mas dificilmente uma interrupção em massa”, conclui Ricardo Barrientos, do Instituto Centro-Americano de Estudos Fiscais.

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.