Mato Grosso do Sul, 3 de junho de 2026

Obesidade infantil avança em MS e expõe crianças à pressão estética e ao preconceito

Você está muito gorda; não pode ser a única gorda da família.” Reflexo de uma sociedade que supervaloriza corpos magros e estigmatiza pessoas acima do peso, a frase, por si só, já seria cruel. O contexto, porém, torna a situação ainda mais chocante.

Essa foi a justificativa apresentada por uma avó, de 68 anos, para aplicar tirzepatida, a chamada “caneta emagrecedora”, em uma criança de 11 anos sem diagnóstico médico, prescrição ou qualquer indicação para tal uso.

O caso, que gerou indignação, ocorreu em maio, em uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul. De tão absurdo, chegou à Polícia Civil. A criança obteve medida protetiva contra a avó e o tio, de 38 anos. Segundo as investigações, as doses do medicamento eram contrabandeadas do Paraguai.

Mas as consequências desse episódio vão além dos riscos físicos provocados pelo uso irregular do remédio. Especialistas alertam que situações como essa reforçam o estigma e a pressão estética enfrentados por crianças e adolescentes com obesidade.

Diferentemente de outras doenças, a obesidade muitas vezes não é vista como uma condição de saúde, mas como resultado de falhas individuais, o que alimenta preconceitos e discriminação. Desde cedo, crianças e adolescentes com excesso de peso precisam lidar com a rejeição, a exclusão social e o bullying, que comprometem o desenvolvimento emocional.

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